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Darwin, uma teoria em crise
 
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Como presente durante esta época festiva muitos de nós ponderámos oferecer um livro, e certamente reparou que, entre os títulos sugeridos e em evidência nas livrarias, constava um livro da autoria de um escritor ateu convicto.
Na escola, aprendemos que o Homem evoluiu a partir do macaco, e para tornar esta informação mais convincente, frequentemente esta é acompanhada por uma representação gráfica que mostra a progressão humana a partir do chimpanzé: o crescimento em estatura, a perda de cabelo, o encurtamento dos braços e a expansão do crânio. Ao escrever estas duas últimas linhas, lembrei-me de uma passagem de Charles Schultz, o pai do famoso Linus de "Peanuts", onde o simpático perdigueirinho Snoopy, deitado em cima da sua casota e admirando as estrelas, pensa: "Desde que o mundo começou o Homem sempre evoluiu, que facto extraordinário!" Depois, olhando para as suas pernas, desanimado, interroga-se: "Mas porque é que nós perdigueirinhos continuámos sempre iguais?". Claro, uma brincadeira, mas considerando as descobertas científicas dos últimos anos, parece que o Snoopy já havia notado algumas lacunas na teoria de Darwin.

Para nós, meros mortais, é importante deixar claro que as teorias nascem da intuição e só a ciência pode dizer-nos se estas são verdadeiras ou falsas. Até uma teoria não ser apoiada pela ciência, não pode afirmar-se como verdadeira, e mesmo nenhum cientista pode fazê-lo defendendo a sua autoria: arriscaria ser imediatamente eliminado do registo ou mesmo enviado directamente para um manicómio. A teoria torna-se ciência, quando temos provas irrefutáveis da sua veracidade, e após 150 anos, o evolucionismo manteve-se uma mera teoria. Após as últimas descobertas, vários cientistas começaram a abandonar a teoria do evolucionismo, entre eles Francis Crick, co-descobridor do ADN, Prémio Nobel de Medicina em 1962. Entrevistado por um jornalista acerca da teoria da evolução, respondeu qualquer coisa como: «Seria como acreditar que, se colocarmos num hangar todas as peças que compõem um avião, após milhões de anos entre terramotos e tudo o que pode acontecer nesse espaço de tempo, em algum ponto nos encontraríamos diante de um Boeing pronto para utilização»; para não mencionar, digamos, que alguém teria que inventar e construir as componentes mecânicas. De facto, como diz o bom senso e a maioria dos filósofos e cientistas de todos os tempos "do nada não nasce nada". A partir desta evidência, actualmente uma série de cientistas identificaram-se no Intelligent Design, ou seja, defendem que o Homem é o resultado de uma Mente criativa. Estes incluem o bioquímico Michael Denton, que em 1985 publicou o livro intitulado explicitamente: "Evolução: uma teoria em crise". De Michael Behe, considerado o pai da teoria Intelligent Design, lembramos os livros “Darwin's Black Box” (A Caixa Negra de Darwin), e “The Edge of Evolution: The Search for the Limits of Darwinism”.

O número de cientistas que, após os resultados das suas próprias pesquisas vêm hoje a identificar-se com a teoria do Intelligent Design, tem vindo a aumentar. No entanto, os evolucionistas perduram, porque admitir a sua falha significaria a perda de cátedras nas universidades onde ensinam e, portanto, o seu salário. Acima deste desmoronaria o edifício ateu que sempre negou a Mente criativa. Tudo isto teria uma convulsão epocal: na prática, iria mudar os manuais escolares, os nossos sentimentos religiosos, a nossa filosofia de vida, a sociedade. Uma ideia, uma teoria, uma filosofia pode realmente mudar a história e a consciência humanas. George Mosse (1918-1999) no seu livro "Racismo na Europa: as origens do Holocausto", Michael Burleigh (1955) e Wolfgang Wipperman (1945) no seu livro "O Estado Racial – Alemanha 1933/1945", explicam como a teoria evolucionista teve uma influência devastadora no nazismo. O mais provável é que se o biólogo britânico tivesse previsto as atrocidades que os seus escritos viriam a causar, ter-se-ia abstido. Mas, como sabemos, as teorias e as filosofias são, por vezes, causas não-intencionais de terríveis catástrofes. Vejamos, por exemplo, o que Charles Darwin escreveu no seu livro "A Origem do Homem", no capítulo "Selecção natural nas nações civilizadas":

«Entre os selvagens, os fracos de corpo e mente são logo eliminados, e aqueles que sobrevivem normalmente têm um excelente estado de saúde. Por outro lado nós, os homens civilizados, tentamos por todos os meios obstruir o processo de eliminação: podemos construir casas para os deficientes, para os coxos e os doentes, fazer mais pelos pobres e os nossos médicos usam as suas habilidades para salvar o máximo de vidas, até ao último momento. Não há razão para acreditar que a vacinação salvou milhares de pessoas que já teriam morrido de varíola, devido à sua constituição frágil. Assim, os membros mais fracos da sociedade são reproduzidos. Quem estiver interessado na criação de animais domésticos duvidará que este facto não é muito prejudicial para a raça humana. É surpreendente como muitas vezes a falta de cuidado ou os cuidados errados conduzem à degeneração de uma raça doméstica: mas, excepto no caso do próprio Homem, quase ninguém é tão ignorante na reprodução dos seus piores animais de estimação».
Por outras palavras, nós somos os tolos irresponsáveis que não eliminam os mais fracos. Seguindo o conselho de Darwin podemos definir terroristas pessoas como Madre Teresa de Calcutá e colocá-los na prisão, ou acusá-los de crime contra a raça e condená-los à pena de morte. Mais tarde, o biólogo britânico escreve: «No entanto, o Homem poderia fazer algo para ajudá-lo a seleccionar não só a constituição somática dos seus filhos, mas também as suas qualidades morais e intelectuais. Ambos os sexos devem ficar longe do casamento, quando são fracos de mente e corpo; mas essas esperanças são utópicas e nunca se realizaram, nem mesmo em parte, até que as leis da hereditariedade não são totalmente conhecidas. Qualquer um que coopere com isso em mente, fará um bom serviço à humanidade».
Não só os desventurados são fracos, mas temos também de negar-lhes o sexo, o único prazer verdadeiramente livre de uma vida tão difícil… Considerando o enorme sucesso que tiveram as ideias de Darwin, não é de admirar que Hitler, os ditadores socialistas ateus e os intelectuais europeus tenham convencido milhões de pessoas a usar o racismo a todos os níveis como um princípio "científico".

Apesar de tudo o que temos visto, os evolucionistas continuam a produzir livros que vendem bem durante o Natal; mas mais grave é os editoras que não promovem ao autores mais recentes e cientificamente mais informados de Darwin. Felizmente, alguns ateus começaram a abrir os olhos. Antony Garrard Flew em 1966, escreveu uma obra monumental entitulada “God and Philosophy", “Deus e a filosofia”, considerada a "bíblia" dos não-crentes. Este livro tem formado os ateus dos últimos quarenta anos. Mas em 2007, o Professor Flew escreveu um livro chamado “There is a God”, "Há um Deus", como quem quer dizer, “desculpem estive errado, Deus existe”: “Parece menos plausível – escreve o ex ícone do ateísmo – que uma sopa química foi capaz de gerar de modo tão mágico o código genético». Entretanto ele arrecadou o dinheiro dos leitores que acreditaram na sua teoria, ajudando-o assim a enriquecer.


AGOSTINO NOBILE
O autor deste texto na Itália, estudou, História, Filosofia, Teologia, Psicologia, Música e Arte. Na Madeira, em Junho passado, organizou, juntamente com João Carlos Abreu e o “Dike group” da Madeira, um encontro com Rino Cammilleri, um dos escritores mais populares da Itália
 

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