| Bando de encapuzados espalha terror em Vitória da Conquista |
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Os demais jovens levados pelo bando: Mateus de Jesus Santos, de 14 anos; Vanessa Santos Morais, 14; Jocafre Marques Souza, 17, continuam desaparecidos. Há informações de que, antes de serem jogados na carroceria do veículo, os jovens teriam apanhado muito. A atuação dos encapuzados, a quem se associa 9 mortes nesse espaço de tempo, teria começado horas depois do assassinato do policial militar Marcelo Márcio Lima Silva, 32 anos, abatido com um tiro na nuca na noite de quinta-feira, 28 de janeiro. Com medo de se tornarem as próximas vítimas, moradores colocam casas à venda e muitos até abandonam os imóveis. A maior debandada é de jovens e adolescentes com passagens pela polícia e envolvimento com o tráfico de drogas. Também nesta segunda-feira, mais dois corpos crivados de balas foram encontrados na mesma localidade em que Ozéias foi achado, uma estrada vicinal que dá acesso ao povoado da Choça, e que já vem sendo considerada área de desova. Trata-se de Henrique de Abreu Ferreira, 17, e Robson Santana Aragão, de 19. No fim de semana, mais três mortes por execução a tiros: Tiago Borges de Souza, 22, e Harrison Santos Mota, no Bairro Guarani e Geraldo Sousa Santos, 33, no Patagônia. Integridade física - Nesta segunda-feira, 1, um adolescente de 17 anos, conhecido como Jararaca, se apresentou ao juiz plantonista no fórum da cidade juntamente com o presidente da secção da OAB em Conquista, Gutemberg Macedo, e outros advogados que fazem parte da Comissão de Direitos Humanos da localidade. O objetivo é resguardar a integridade física do jovem a quem são atribuídos mais de 10 homicídios, inclusive de uma adolescente evangélica morta durante vigília, em dezembro passado. Jararaca encontra-se no Presídio Regional Advogado Nilton Gonçalves e como é menor de idade, deve ficar numa sala reservada. O jovem, que pediu garantia de vida e nega participação no crime, deve ser ouvido pelo juiz em data a ser definida. Onda de violência - Na madrugada em que o PM foi morto e na mesma rua, a casa de Jorge Moreira da Silva, de 40 anos, teve a porta arrombada a pontapés. Ele foi retirado da cama e morto a tiros na calçada. A ação se seguiu por outras residências, com pessoas sendo espancadas para informar o paradeiro dos criminosos. Nem mesmo um aposentado de 78 anos escapou da violência. “Juntou mais de três. Um me batendo e dois com revólver em meu ouvido”, relatou o idoso, exibindo hematomas nas costas. Os homens queriam saber o paradeiro dos bandidos. “Eu não aguentei mais apanhar e sentei no meio-fio. Falei pra eles: vocês querem me matar, então mata logo. Estou sozinho e Deus”. O caso já foi parar na Promotoria da Infância e Juventude. O titular, promotor Marcos Coelho, disse que já solicitou dos comandos das polícias civil e militar a apuração dos fatos. “É uma situação preocupante, tenha havido o que quer que seja, a sociedade necessita de uma satisfação”, frisou. O capitão Leite, que falou em nome do 9º batalhão PM, afirmou, por sua vez, que, “se foi notificado para o batalhão, o comandante da corporação abrirá uma portaria para apurar os fatos, já que existem denúncias de que, talvez, haja policiais militares envolvidos”. Parentes pedem apoio - Na manhã dessa segunda-feira, 1, um grupo de parentes e amigos das vítimas foi buscar apoio e cobrar providências na sede da Defensoria Pública da cidade. A peregrinação também passou pelo Complexo Policial, delegacias, hospitais, Distrito Integrado de Segurança Pública e até Instituto Médico Legal (IML). “Já fomos em todos os lugares, mas nada de os meninos aparecer”, relatou um parente. “Queremos nossos filhos de volta. As famílias vão fazer vigília e só sossegam quando as autoridades derem uma resposta. Se preciso, vamos até o governador para pedir uma solução”, desabafou uma das mães, segurando cartaz com a foto do filho. Buscas após morte de PM - Assim que foram informadas da morte do soldado, autoridades policiais uniram forças e vasculharam as redondezas em busca dos culpados. O policial estava na garupa de uma moto, pilotada por outro PM e iam visitar um colega no bairro. Nas primeiras horas do dia seguinte, três pessoas foram presas com drogas e armas. Isaac Rodrigues Morais portava papelotes de crack, na Rua Nova, Bairro Alto Maron; Marileudo Silva Chaves, levava um revólver 38, na Rua Bruno Bacelar e Anderson Santos Silva, tinha 180 papelotes de crack, na Rua Duarte da Costa, no mesmo bairro. Também foram apreendidas outras duas armas; 45 projéteis para pistola 380 e quatro para calibre 38. Durante a operação de busca, a polícia registrou a morte de Danilo Lacerda, 24 anos, abatido a tiros no Bairro Panorama, próximo ao local da ocupação e de outra duas pessoas, no lado oeste da cidade, pelo mesmo método. |
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